Você busca reinventar o teatro?

Leia trechos da entrevista de Heiner Goebbels à Folha, por e-mail.

Folha - Você busca reinventar o teatro?
Goebbels - Teatro é normalmente recheado de estereótipos e clichês. Temos de reinventá-lo como uma arte que provoque mistério, atração e estimule a imaginação do espectador --e que fuja da lenga-lenga de contar uma história.

E quer provocar o público?
Apenas estimo a plateia. Acho que posso criar no espectador uma experiência única ao fazê-lo confrontar uma obra que ele nunca viu. Quero convidá-lo a lidar com o desconhecido.

De onde vem a inspiração?
Da insatisfação com o mundo. Divido com a plateia meu desejo de um mundo melhor, meu interesse por imagens, textos, sons e beleza.

'Stifters Dinge' é a peça que mais perto conseguiu chegar de uma instalação?
Sim. Não há atores em cena. O público torna-se agente da história, criada por sua imaginação. Trata-se de uma performance sem performers, uma instalação realizada essencialmente por máquinas.

Qual sua experiência como espectador ao ver a peça?
Minha visão não é livre. Enquanto vejo a luz de um refletor incidir sobre as ondas da água, a plateia vê um pôr de sol numa praia.

Por que elementos normalmente usados como apoio se tornam protagonistas?
Nossa atenção para esses personagens secundários gera um respeito aos elementos e uma possibilidade de descobrirmos mais sobre nós mesmos.

Como foi o processo criativo de "Stifters Dinge"?
Minha equipe e eu nos perguntamos: é possível criar uma peça sem atores? Foi um experimento. (GM)

GABRIELA MELLÃO
Folha de Sao Paolo (BR), 10 March 2015